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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
São Paulo perdeu mais de um milhão de hectares de florestas
O Estado de São Paulo perdeu mais de 1,3 milhão de hectares de florestas, cerrados, campos e mangues, nos últimos 20 anos. Restam apenas 3.330.744 hectares de vegetação natural, ou 13,4% da área total do território paulista. Este é um dos resultados do Inventário Florestal do Estado de São Paulo, recém-concluído pelo Instituto Florestal (IF). O inventário foi editado na forma de um atlas com 80 mapas regionais coloridos, produzidos com base em fotos aéreas e imagens de satélite de 1990 a 1992, na escala 1: 50.000. A edição já está na gráfica, com previsão de lançamento até o final deste mês e tiragem de 2 mil exemplares.
O Instituto Florestal e a Secretaria do Meio Ambiente devem usar os resultados do inventário para nortear a fiscalização e ações de controle do mercado de derivados de madeira. Devem ainda usar os mapas para planejar novas unidades de conservação e para orientar programas de recuperação florestal e criação de corredores de fauna entre matas remanescentes.
Segundo o coordenador do trabalho, Francisco José do Nascimento Kronka, do IF, o último inventário florestal paulista foi publicado em 1975, com dados colhidos entre 1971 e 1973. De lá para cá, São Paulo perdeu cerca de 233 mil hectares de florestas; 258 mil hectares de capoeira; 32 mil hectares de cerradão; 576 mil hectares de cerrado; 147 mil hectares de campo cerrado e 42 mil ha de campos. A mata de restinga e o mangue não foram computados separadamente no inventário anterior e não há, portanto, termo de comparação. "O levantamento mostra o quanto é crítica a situação florestal do Estado", afirma Kronka. Ele afirma que 60% das florestas estão concentradas no Vale do Ribeira e no litoral, sobretudo no Parque Estadual da Serra do Mar. "Existem municípios, portanto, onde as manchas de vegetação não excedem 3 a 4% do território", observa. Justamente nesses municípios mais degradados - localizados no Noroeste e Nordeste do estado - continuam ocorrendo desmatamentos.
O inventário destaca, também, a queda no ritmo de desmatamento: entre 1962 e 1971/73 houve uma perda de 2.863.420 hectares de mata, enquanto entre 71/73 e 90/92 foram desmatados 1.283.031 hectares. Ou seja, de uma taxa anual de desmatamento de 3,94% nos anos 70, o Estado passou a cortar 2,92% de suas florestas ao ano. O documento ressalta, porém, que não há motivos para otimismo, pois os remanescentes agora visados para desmate localizam-se em terrenos acidentados, de difícil acesso, constituindo áreas de conservação ou de proteção permanente. "Se as encostas da Serra do Mar já são suscetíveis a deslizamentos com a floresta, imagine sem a proteção da vegetação", exemplifica o diretor de parques do IF, Joaquim de Britto Costa Neto. A queda de barreiras e interrupção das estradas entre a capital e o litoral, neste final de semana, ilustra bem o risco da retirada das florestas de encosta.
Além das matas, o levantamento quantifica as enormes perdas de outros tipos de vegetação natural, como os cerrados e os campos, normalmente relegados a segundo plano pelos ambientalistas e órgãos governamentais responsáveis pela criação de áreas de conservação. Embora menos exuberantes, esses tipos de vegetação abrigam grande diversidade de fauna e flora e raramente são protegidos por parques. Nos últimos 20 anos, os campos-cerrados e campos foram praticamente eliminados do território paulista. Em 71/73 haviam 148.390 hectares de campos-cerrados, reduzidos agora a apenas 1.834 hectares. Em igual período os campos passaram de 43.870 hectares para 1.933.
No Inventário Florestal foram mapeadas, ainda, todas as áreas de reflorestamento de pinus e eucaliptos do Estado.
Atualmente existem 812.523 hectares com estas espécies exóticas, ou 3,27% do território estadual. "Embora a área reflorestada só tenha aumentado 20% em 20 anos, a produção de celulose aumentou três vezes, devido, especialmente a ganhos brutais de produtividade dos reflorestadores e, em menor escala, a importações de madeira de outros Estados", afirma Francisco Kronka. Ele lembra que os reflorestamentos são importantes fontes de madeira para celulose, papel, lenha e derivados de madeira, evitando o depauperamento ainda maior das matas naturais. "O problema é que ainda somos deficitários na produção de madeira e boa parte dos reflorestamentos de pinus, por exemplo, tem mais de 15 anos, ou seja, atendem a demanda no curto prazo, mas não a médio e longo prazo". Sem a madeira dos reflorestamentos aumentará a pressão sobre a vegetação nativa.
Fonte: Estadão – 10/02/2004
O Instituto Florestal e a Secretaria do Meio Ambiente devem usar os resultados do inventário para nortear a fiscalização e ações de controle do mercado de derivados de madeira. Devem ainda usar os mapas para planejar novas unidades de conservação e para orientar programas de recuperação florestal e criação de corredores de fauna entre matas remanescentes.
Segundo o coordenador do trabalho, Francisco José do Nascimento Kronka, do IF, o último inventário florestal paulista foi publicado em 1975, com dados colhidos entre 1971 e 1973. De lá para cá, São Paulo perdeu cerca de 233 mil hectares de florestas; 258 mil hectares de capoeira; 32 mil hectares de cerradão; 576 mil hectares de cerrado; 147 mil hectares de campo cerrado e 42 mil ha de campos. A mata de restinga e o mangue não foram computados separadamente no inventário anterior e não há, portanto, termo de comparação. "O levantamento mostra o quanto é crítica a situação florestal do Estado", afirma Kronka. Ele afirma que 60% das florestas estão concentradas no Vale do Ribeira e no litoral, sobretudo no Parque Estadual da Serra do Mar. "Existem municípios, portanto, onde as manchas de vegetação não excedem 3 a 4% do território", observa. Justamente nesses municípios mais degradados - localizados no Noroeste e Nordeste do estado - continuam ocorrendo desmatamentos.
O inventário destaca, também, a queda no ritmo de desmatamento: entre 1962 e 1971/73 houve uma perda de 2.863.420 hectares de mata, enquanto entre 71/73 e 90/92 foram desmatados 1.283.031 hectares. Ou seja, de uma taxa anual de desmatamento de 3,94% nos anos 70, o Estado passou a cortar 2,92% de suas florestas ao ano. O documento ressalta, porém, que não há motivos para otimismo, pois os remanescentes agora visados para desmate localizam-se em terrenos acidentados, de difícil acesso, constituindo áreas de conservação ou de proteção permanente. "Se as encostas da Serra do Mar já são suscetíveis a deslizamentos com a floresta, imagine sem a proteção da vegetação", exemplifica o diretor de parques do IF, Joaquim de Britto Costa Neto. A queda de barreiras e interrupção das estradas entre a capital e o litoral, neste final de semana, ilustra bem o risco da retirada das florestas de encosta.
Além das matas, o levantamento quantifica as enormes perdas de outros tipos de vegetação natural, como os cerrados e os campos, normalmente relegados a segundo plano pelos ambientalistas e órgãos governamentais responsáveis pela criação de áreas de conservação. Embora menos exuberantes, esses tipos de vegetação abrigam grande diversidade de fauna e flora e raramente são protegidos por parques. Nos últimos 20 anos, os campos-cerrados e campos foram praticamente eliminados do território paulista. Em 71/73 haviam 148.390 hectares de campos-cerrados, reduzidos agora a apenas 1.834 hectares. Em igual período os campos passaram de 43.870 hectares para 1.933.
No Inventário Florestal foram mapeadas, ainda, todas as áreas de reflorestamento de pinus e eucaliptos do Estado.
Atualmente existem 812.523 hectares com estas espécies exóticas, ou 3,27% do território estadual. "Embora a área reflorestada só tenha aumentado 20% em 20 anos, a produção de celulose aumentou três vezes, devido, especialmente a ganhos brutais de produtividade dos reflorestadores e, em menor escala, a importações de madeira de outros Estados", afirma Francisco Kronka. Ele lembra que os reflorestamentos são importantes fontes de madeira para celulose, papel, lenha e derivados de madeira, evitando o depauperamento ainda maior das matas naturais. "O problema é que ainda somos deficitários na produção de madeira e boa parte dos reflorestamentos de pinus, por exemplo, tem mais de 15 anos, ou seja, atendem a demanda no curto prazo, mas não a médio e longo prazo". Sem a madeira dos reflorestamentos aumentará a pressão sobre a vegetação nativa.
Fonte: Estadão – 10/02/2004
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