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A notícia de sua morte gerou comoção entre amigos, ex-alunos e colegas
Colegas de profissão, pesquisadores e profissionais da madeira lamentam profundamente o falecimento do engenheiro florestal Laércio Couto. Ele faleceu aos 79 anos no último sábado (29), na cidade de Itu (SP), onde residia, após sofrer uma parada cardíaca enquanto tratava de um câncer. Seu sepultamento ocorreu neste domingo (30), em Sorocaba, naquele mesmo estado. Mesmo hospitalizado, Couto seguiu ativo, mantendo contato por telefone e dando orientações a colegas e alunos.
Natural de Tocantins, na Zona da Mata mineira, Laércio Couto teve uma trajetória marcante na engenharia florestal. Formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde também concluiu o mestrado, dedicou-se ao ensino e à pesquisa, influenciando diretamente diversas gerações de profissionais. Sua carreira acadêmica e técnica o levou ao doutorado na Universidade de Toronto e ao pós-doutorado na Colorado State University, consolidando-se como referência na silvicultura, agrossilvicultura e biomassa energética.
Com uma vasta experiência profissional, ocupou cargos de destaque em instituições nacionais e internacionais. Foi professor da Universidade de Toronto, presidente da Sociedade Brasileira de Agrofloresta (SBAG), consultor de grandes empresas do setor e membro de conselhos estratégicos. Seus trabalhos contribuíram para o avanço da silvicultura sustentável e para a implementação de sistemas inovadores de biomassa para energia, sendo laureado com o World Bioenergy Award em 2010.
O professor Laércio Couto também deixou uma marca indelével no desenvolvimento de pesquisas e na orientação acadêmica. Durante sua vida acadêmica, supervisionou dezenas de dissertações e teses, disseminando conhecimento e formando especialistas que hoje atuam no Brasil e no exterior. Publicou mais de 120 artigos científicos e esteve à frente de importantes debates sobre o uso sustentável das florestas e a implementação de maciços florestais produtivos.
A notícia de sua morte gerou comoção entre amigos, ex-alunos e colegas. O professor Vitor Afonso Hoeflich, da Universidade Federal do Paraná, destacou sua trajetória como "uma das mais qualificadas da engenharia florestal", sempre em defesa da categoria e do desenvolvimento sustentável. O empresário e consultor Deodato Costa lembrou sua inteligência e visão de futuro, afirmando que "seu livro ainda será escrito". Já o engenheiro florestal Wagner Henriques ressaltou que Laércio "deixa um legado inestimável de publicações e ensinamentos que continuarão a influenciar a engenharia florestal".
Laércio também era um grande entusiasta da feira "Espírito Madeira – Design de Origem" e esteve presente na última edição do evento, em Venda Nova do Imigrante (ES). Paula Maciel, uma das organizadoras, lamenta a perda. "Ele sempre trazia ideias inovadoras e incentivava a valorização da madeira de origem sustentável. Sua ausência será sentida, mas seu legado seguirá inspirando nosso trabalho. Manter a Espírito Madeira viva e evoluindo será uma forma de homenagear este amigo e entusiasta".
A partida de Laércio Couto representa uma grande perda para o setor florestal, mas sua influência permanece viva através das pesquisas, dos projetos e das pessoas que tiveram o privilégio de aprender com ele. Seu nome será lembrado como um dos grandes pioneiros da engenharia florestal no Brasil, deixando um legado que transcende gerações.
Fonte: Calabria Comunicação
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