A evolução do consumo mundial de energia, baseada em combustíveis fósseis, conduziu a humanidade para uma matriz energética insegura, cara e, sobretudo, bastante negativa para o ambiente. Isso tem levado muitos países a considerarem a necessidade de profundas mudanças, incluindo a intensificação do aproveitamento de outras fontes energéticas, sobretudo as renováveis, incluindo-se a madeira. O autor ainda cita, que o Brasil é o maior produtor mundial de carvão vegetal, produzindo cerca de 10 milhões de toneladas anualmente, ou seja, pelo menos 60 milhões de m3 de madeira, porém ainda sendo a maior parte desta produção feita com madeira oriunda de florestas não manejadas.
Faz pouco tempo que a madeira deixou de ser a principal fonte de energia primária para o Brasil. A participação da madeira no balanço energético brasileiro veio decrescendo ao longo do tempo, sobretudo porque houve um incentivo maior para o uso de derivados do petróleo e hidroeletricidade, porém nos últimos 10 anos, isso vem mudando, principalmente considerando as incertezas quando à oferta de outras fontes, bem como as vantagens econômicas e oportunidades ambientais e estratégicas oferecidas pelo uso da madeira como fonte de energia.
A produção de lenha em 2006 foi cerca de 91 milhões de toneladas, sendo totalmente consumida no país, principalmente para a produção do carvão vegetal. Em 2006, o consumo de carvão vegetal no Brasil foi cerca de 35 milhões de toneladas de m³.
Dentro do setor florestal existe uma gama de produtos e subprodutos que podem ser contabilizados, sendo que o presente estudo focou-se principalmente em produtos para fins energéticos.
A madeira, como lenha ou como carvão, é utilizada por muitas pessoas em diversos locais do planeta. Estima-se que, a cada seis pessoas, duas utilizam a madeira como principal fonte de energia, principalmente em países em desenvolvimento.
Em 1997 o setor florestal estava em sétimo lugar no valor bruto da produção no Estado, já em 2007 estava em terceiro lugar, correspondendo a 9,61% do VBP. Isso mostra a importância do setor dentro da economia.
Segundo a SEAB, para os 13.061.981 m3 de lenha produzidos no Estado do Paraná, obteve-se o VBP (nominal) de R$188.876.252,00; já o nó de pinho, com 24.270m3, arrecadou R$860.614,00, em 2007. Até o último ano levantado (2006) a produção de carvão vegetal foi de 258.049.318 kg, correspondendo a um VBP de R$72.253.809,00.
Entretanto o setor florestal paranaense, vem sofrendo algumas mudanças em sua estrutura, principalmente no que se refere à expansão da atividade florestal, em pequenas propriedades, mais comum pela integração de agricultores e empresas de fomento.
Como objetivo foi analisada a quantidade de carvão vegetal, lenha e nó de pinho, utilizada para fins energéticos, entendendo sua participação no setor florestal, durante o período de 1997 a 2007, no Estado do Paraná.
Material e métodos
Tomando-se por base os dados da série histórica de produção de madeira, foi realizada a análise de sua disponibilidade, no período de 1997 a 2007, no Estado do Paraná. Os referidos dados foram obtidos das 20 regionais da SEAB-Pr, coletadas pelo Departamento de Economia Rural (DERAL). Foram formadas 2 tabelas, uma de produção e outra com o percentual de cada uso de madeira. Teve por base 5 subgrupos da pesquisa, laminação, serraria, papel e celulose e outros fins, todos em madeira em tora, além do grupo madeireiro para fins energéticos. Após, outras tabelas foram feitas, somente com os produtos de fins energéticos: carvão, lenha e nó de pinho.
A unidade de carvão utilizada no levantamento realizado pelo DERAL foi o quilograma (kg), motivo pelo qual processou-se a unificação da mesma, transformando os dados para m3. Para tanto, utilizou-se como fator de transformação o índice 5,55 (a cada 1 kg de carvão, tem-se 5,55 kg de lenha)2. Obteve-se o valor respectivo em m3 da madeira utilizada, aplicando-se a fórmula de massa específica.
μ = m/V
onde:
μ = massa específica, em kg/m3
m = massa, em kg
V = volume, em m³
Ressalta-se, ainda, que não foi contabilizada a produção de lenha e carvão destinada à exploração doméstica3, tendo em vista a ausência de dados confiáveis sobre o volume utilizado. Quanto ao nó de pinho, trata-se de um produto utilizado como fonte energética, principalmente em usos domésticos e comercial, que, embora venha se observando uma queda em sua produção, mereceu atenção dos pesquisadores como produto de fonte energética.
Foram analisados mapas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), tanto de produção de lenha, quanto de carvão, referente aos anos de 1997 e 2007, comparando-se a concentração da produção, bem como analisados mapas de extrativismo do nó de pinho, nos anos de 1997 e 2007, com a mesma finalidade.
Análise dos resultados
O uso de madeira para fins energéticos é o segundo maior em termos de volume de produção de madeira do Estado representando 31,2% da produção do setor no período estudado, demonstrando a necessidade da intensificação do aproveitamento de outras fontes energéticas, sobretudo as renováveis, incluindo-se a madeira.
Observou-se um crescimento de 10,6% na produção destinada à energia, no período considerado. Houve um crescimento de 26% da produção de lenha (1997 a 2007) e de 199,6% na de carvão (1997 a 2006). Percebe-se, ainda, que a lenha sempre foi o principal produto e apresentou crescimento em seu consumo, principalmente nos últimos anos do período estudado. De acordo com DERAL (2007), houve um crescimento de 30,7% na produção de lenha, de 2006 a 2007, o que representou uma participação de 6,1% no VBP do setor florestal do Estado.
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), fornece mapas que registram a distribuição da produção de carvão vegetal, lenha, e nó de pinho no Estado do Paraná. Assim a produção de carvão (silvicultura), em 1997 e 2007, respectivamente, manteve-se concentrada na região centro-sul, porém, em 2007, nota-se um crescimento na região noroeste do Estado.
A produção de lenha (silvicultura) está distribuída em todo o Paraná, mas sua maior concentração em 1997 estava nas regiões de Ponta Grossa e Guarapuava. Já, em 2007, estava nas regiões de Ponta Grossa, Irati e União da Vitória
A exploração do nó de pinho (extrativismo) esteve, tanto em 1997 quanto em 2007, concentrada na região centro-sul do Estado, onde se encontram os maiores remanescentes da Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária).
A produção de carvão vegetal é registrada na unidade kg, porém seria interessante que se fizesse o registro levando-se em conta toras de madeira (em m3) que são destinadas à transformação em carvão. Assim, para a produção científica, em termos analíticos, os cálculos seriam mais precisos e facilitados. Neste estudo, por exemplo, utilizou-se a unidade m3 como padrão para o produto madeira, evitando-se erros sistemáticos e tendo-se uma melhor visão percentual da quantidade de madeira com seus respectivos fins. Ainda com relação aos levantamentos dos dados, observou-se que não há uma padronização nas medidas de mourões e lascas, impedindo, assim, a sua contabilização no presente estudo.
Quanto à disponibilidade de madeira para fins energéticos no estado do Paraná, observou-se que ela representa o segundo maior volume (m³) de produção de madeira do Estado, compreendendo 31,2% da produção do setor no período de 1997 a 2007, sendo, portanto, importante manter-se um acompanhamento de sua produção, consumo, bem como a padronização de seus produtos para análise e planejamento. Verificou-se, ainda, um aumento de 10,6% em sua produção nesse período. A participação do grupo energia na cadeia produtiva da madeira vem crescendo de forma contínua, a partir do ano 2003.
Especificamente, dentro do grupo energia, a média de participação no período demonstrou que a lenha é a que mais contribui, sendo seguida pelo carvão e nó de pinho, respectivamente. Entretanto, a maior taxa de crescimento encontra-se relacionada à produção de carvão, atingindo quase 200% no período compreendido entre os anos 1997 a 2006. Entretanto, em termos de volume produzido, a lenha permanece como o principal produto comercializado nos últimos anos do período estudado, tendo tido um substancial aumento de 2006 a 2007 (30,7%), o que representou uma participação de 6,1% no VBP do setor florestal do Estado.
No que se refere à distribuição da produção madeireira para fins energéticos, a lenha é produzida em todo o Paraná, estando, mais recentemente, concentrada nas regiões de Ponta Grossa, Irati e União da Vitória. A produção de carvão, por sua vez, manteve-se concentrada na região centro-sul, porém, apresentando tendências de maior concentração na região noroeste do Estado. Finalmente, a extração do nó de pinho concentra-se na região centro-sul do Estado, área dos maiores remanescentes da Floresta de Araucária.
Autores: Alexandre França Tetto - Engenheiro Florestal – Mestrando - SEAB-PR; José Tarciso Fialho - Engenheiro Agrônomo – Doutor - SEAB-PR; Kelly André Gonçalves - Acadêmica de Engenharia Florestal (UFPR) - Estagiária - SEAB-PR; Renato Viana Gonçalves - Engenheiro Agrônomo - SEAB-PR.